ܟ Estatuária

                         

Estatueta de pedra gessosa, templo Ebu Tell Asmar   primeira metade do III milênio.                         

    A estátua talvez seja a categoria artística em que o mundo mesopotâmico se reconhece com uma maior evidência: pelas suas concepções, pelas suas características, pela sua maneira de se traduzir em arte. Deve começar-se pela temática, pois é nela que sobretudo residem as possibilidades de reconhecimento. São os deuses, os altos funcionários, os protagonistas , afinal, daquele mundo de poder e de fé . O objetivo que se esculpiram as estátuas de tais protagonistas, eram devido a veneração através de uma presença que a estátua assegurava; e isto é essencial através de uma série de meios, até ao mais eficaz, a inscrição do nome.Esse nome é sempre o da pessoa representada (o modelo),mais o da pessoa que a representa (o escultor):se por acaso (inconcebível no ambiente mesopotâmico)o artesão gravasse o seu próprio nome sobre uma estátua,essa estátua tornar-se-ia,por força mágica,nele próprio,artesão,com todas as consequências que daí adviriam.

   Se a estátua representa a pessoas não só e não tanto nos sentido de reproduzir uma imagem dela, quanto, e sobretudo,no sentido de a substituir,é evidente que o ponto essencial continua a ser o de evitar equívocas;mas quando isto é assegurado,não existe qualquer exigência de fidelidade ao modelo e ainda menos quando as dimensões.Um facto originalmente de natureza técnica,que o era a escassa disponibilidade de pedra,repercute-se no êxito de grande parte da estatura suméria,que tem dimensões bastante menores do que o normal:faltando a intenção estética, a identificação do personagem também se obtém em dimensões pequenas e a função ritual e votiva da estátua nem por isso sofre seja o que for.Na pratica estão ligadas ao processo de idealização aquelas leis de frontalidade e de geometrismo que são basilares para se compreender a escultura,mesopotâmia.

   Antes de mais nada, a frontalidade.consiste em conceber a figura humana como que dividia idealmente por uma linha vertical,que parte do centro da testa e desce ate a divisão das pernas,separando para cada lado as duas partes iguais e simétricas em todas as suas componentes.Trata-se de uma visão “espetacular”,pela qual cada uma das partes do corpo corresponde de um lado e de outro,tal como a sua imagem corresponderia  á refletida num espelho.Em segundo lugar,o geometrismo: a disposição da figura humana dentro de um esquema geométrico que reduz –contendo-o dentro das mesmas formas tudo quanto poderia  sobressair do próprio esquema.Já se disse que há mesopotâmia este esquema é representado pelo cilindro e pelo cone,em suma,por sólidos curvilíneos:tal principio explica porque,por exemplo os braços das estátuas mesopotâmica permanecem estreitamente colados aos corpos,por forma a incluírem-se no esquema ideal ao qual o artista atribui uma vitalidade proeminente.

    A penúria de material de pedra que caracteriza o solo mesopotâmico deve ter sugerido a exploração ao Maximo do pouco que se podia  recuperar;e, como se sabe,na natureza as pedras encontram-se sobretudo em formas arredondadas.O personagem sentado nun trono e o personagem em pé,encaixado sobre grossas cavilhas,que nos dão um sentido de solidez extraordinária. No primeiro caso,os braços juntam-se sobre o peito,em sinal de oração; no segundo,têm a mesmíssima posição,ou estão estendidos ao longo dos flancos.A identificação do personagem,ou melhor,a sua caracterização,é feita sobretudo no rosto.Este é privilegiado,em relação ao corpo,logo pelas dimensões,que aparecem sempre desproporcionados por excesso.No rosto,são por seu turno, desproporcionados pó excesso os olhos,obtidos através de incrustrações (o globo ocular com conchas,as pupilas  com lápis-lazúli).Os cabelos,geralmente divididos em partes iguais por uma risca,descem de ambos os lados da cabeça e vão juntar-se á grande barba.Nesta,tal como nos cabelos,o gosto pela harmonia e pela simetria leva a uma acentuada estilização do encaracolado em filas paralelas.No entanto,as cabeças apresentam-se por vezes calvas,ou então ostentam complicados toucados e nestes também se podem reconhecer elementos característicos.os lábios estão firmemente cerrados num drástico mutismo,mas a agudeza do olhar é mais eloqüente do quer quaisquer palavras.E esta nele presente aquela especial  angústia que os estudiosos da religião assinalam existir nos sentimentos do homem quando ele se encontra face a face com o divino.Em comparação como rosto,o corpo é muito menos cuidado,pelo que acaba por se reduzir,ou quase,ao esquema, em que esta contido.O nu é geralmente evitado,as vestes caem rigidamente e,por vezes,apresentam uma estilização que visa pôr em evidencia a ondulação da lã ou a franja da orla;em qualquer dos casos,já não se trata daquela capacidade de preguear a panejar que tanta importância vira assumir na arte grega.

     O esquema mais habitual em que a veste é enquadrada é o do cone truncado,pela adesão ao esquema sublinha quer o geometrismo, quer a substancial indiferença pela realidade.Em síntese,temos com que estabelecer o verdadeiro cânone  da figura,embora não haja conhecimento de documentos escritos que confirmem a sua existência. O conjunto das convenções que regiam a estatura mesopotâmica nãos e estende em igual medida aos animais. Para estes, verifica-se sempre uma maior adesão aos dados naturais,como o testemunho em grupo de cabeças de touro executados na época suméria e que reúnem características de intensa vivacidade .

  Cabeça de Touro  de bronze, de Lagash, primeira metade do III milênio.

1 comentário (+adicionar seu?)

  1. ladyutopia
    set 22, 2011 @ 03:24:41

    O que representa a imagem do rosto de serpente feito de terracota?

    Responder

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