APRESENTAÇÃO

   Pretendemos, auxiliar os alunos por meio da arte Mesopotâmica proporcionando uma visão geral das expressões artísticas de diferentes povos que constitui esta região do Oriente Próximo.

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 NINÍVE

Introdução

   Os cômoros que assinalam o antigo local de Nínive ficam situados à margem oriental do rio Tigre, diante da moderna cidade de Mosul, no norte do Iraque (Mesopotâmia superior). Se os resultados obtidos raramente parecem belos, a intenção principal a de serem claramente “legíveis”  foi atingida, no relevo do palácio da Assurbanipal, em Niníve.   

  • Arte de Niníve

    Se destaca por representar em estelas suas atividades cotidianas e guerreiras em sua maioria, coloca em evidência á  força militar símbolo de coragem e hostilidade para outros povos inimigos.

  • Descrição das Imagens

Saque da cidade de Hamurabi por Asurbanipal. Niníve c. 650 a.c. Calcário, 0915×0,620m. Museu Britânico, Londres

 

   Na faixa principal, descreve- se a pilhagem da cidade elamita de Hamanu. Soldados assírios com picaretas e alavancas estão demolindo as fortificações (notem –se as trevas e os tijolos em plena queda), depois de terem colocado fogo na cidade. Outros afastaram-se, descendo uma colina arborizada, carregados com o saque.  Sob a cena principal, vemos os soldados no acampamento, comendo e bebendo, enquanto um deles fica de guarda.

 

Asurbanipal Matando leões, Nimrude (calah), c. 850 a.c. Calcário , 099x 2,54m. Museu Britânico, Londres

 

    O escultor assírio atinge o seu mais alto nível, retrata o palácio de Assurbanipal II, em Nimrude ( Calah), o leão que ataca o carro real pela retaguarda é, sem dúvida, o herói da cena. De magnífica força e coragem, o animal ferido parece encarnar toda a emoção dramática que falta ás descrições picturais da guerra. O leão moribundo, á direita, é igualmente impressionante na sua agonia. Os cavalos são menos esbeltos mas têm muito mais vigor e energia na sua fuga ao ataque do leão, de orelhas baixas de terror.  A despeito da pouca profundidade do relevo, os corpos transmitem uma maior sensação de peso e de volume, graças ás sutis gradações da superfície.

  • Intenção Artística

Este grupo suscita um interessante problema de representação porque o caminho se alarga visivelmente ao aproximar-se do primeiro plano, como se o artista quisesse apresentá-lo em perspectiva, mas depois curva para a direita, para servir de moldura aos homens em marcha. É uma mistura estranha de maneiras de representar, mas também um meio eficaz de articular o primeiro e o segundo planos. A abundância de pormenores descritivos nos relevos das campanhas militares deixa pouco espaço para a glorificação pessoal do monarca. Tal propósito é servido de modo direto por outro tema recorrente as caçadas régias aos leões, as quais se assemelham mais a combates cerimoniais. As feras eram soltas das jaulas para dentro de um quadrado formado por soldados com escudos, onde eram mortas pelo rei. (é provável que, numa época mais recuada, a caça aos leões tivesse sido uma importante obrigação dos chefes mesopotâmicos, como “pastores” dos rebanhos comunitários.

 

 

 

 

 

 

 

 

    

     

      ASSÍRIA

ܟ   Introdução

   A Assíria é o antigo reino de Assur (Ashur), país da Ásia, localizado ao norte da Mesopotâmia a partir da fronteira norte do atual Iraque. A civilização assíria inspirou-se nas realizações do sul mas reinterpretando-as e dando- lhes caráter próprio.

  • Arte Assíria

   Assim construíram templos e zigurates inspirados em modelos sumerianos e os palácios reais atingiram dimensões e magnificência sem precedentes.

Descrição das Imagens

  Cidadela de SargãoII, em Dur Sharrukin, 742- 706 a.c.    (reconstituição por Charles Altman)

                                                                                                                                                  Porta de leões, Bogazkoy, Anatólia. C. 1400 a.c

     Apenas um deles, o de Sargão II, em Dur Sharrukin ( a moderna Khorsabad), da segunda metade do séc. VIII a.c; foi suficientemente explorado para permitir uma reconstrução. Estava isolado do centro urbano, numa cidadela de muralhas torreadas, apenas com duas portas. Ainda que os assírios empregassem o tijolo como os sumérios, costumavam revestir as passagens das entradas e a parte inferior das paredes das salas principais com grandes placas de pedra, onde esculpiam baixos-relevos ou os típicos demônios guardiões, nos quais o relevo se associa á escultura. Devem ter sido inspirados em exemplos hititas, como o da porta de Bogozaskoy . Intimidantes pelo aspecto e tamanho, destinavam – se a impressionar os visitante, como uma imagem do poder e majestade reais.

       Dentro do palácio, a mesma impressão era reforçada por longas séries de relevo ilustrando as conquistas militares. Cada campanha está descrita em detalhes, com inscrições onde se dá uma informação complementar. As forças assírias, implacavelmente eficientes, parecem marchar sem descanso ao encontro dos inimigos em todas as fronteiras do império, destruindo –lhes as praças – fortes e regressando carregadas de despojo e de prisioneiros. Não há drama nem heroísmo nestas cenas o resultado da batalha nunca é posto em dúvida. O artista assírio viu-se assim na necessidade de criar um conjunto inteiramente novo de artifícios para resolver o problema da narração pictórica.

Porta da cidadela de Sargão II ( durante as escavações)

 

                 

    

    BABILÔNIA

ܟ  Introdução

   Iniciou sua era de império sob o amorita  Hamurabi, por volta de 1730 a.C., e manteve-se assim por pouco mais de mil anos. Hamurabi foi o primeiro rei conhecido a codificar leis, utilizando no caso, a escrita cuneiforme, escrevendo suas leis em tábuas de barro cozido, o que preservou muitos destes textos até ao presente.

   Hamurabi aliando os feitos militares a um profundo respeito pela tradição sumeriana, considerava- se como o “pastor preferido” do deus –Sol Shamash, cuja missão era “fazer reinar a justiça sobre a terra”. Durante este reinado e os que se seguiram, a Babilônia tornou-se o centro cultural da Suméria e a cidade manteria o seu prestígio por mais de um milênio, mesmo depois de perdida a hegemonia política.

  • Arte Babilônica

   A mais notável realização de  Hamurabi foi o seu código, justamente famoso como a primeira redução unificada de um corpo de leis, de concepção espantosamente racional e humana.

Descrição da Imagem

Parte superior da estela do código de Hamurabi, c. 1760 a.c. Diorite, alt. da estela 2,13 m; alt. do baixo -relevo 0,71 m. Louvre, Paris.

   Está gravado numa grande estela de diorite em cujo topo figura do rei perante o deus- Sol, de braço direito erguido, num gesto de quem fala, como se estivesse apresentando a sua obra de codificação ao divino soberano. O relevo é tão acentuado que as duas figuras chegam a dar a impressão de estátuas cortadas ao meio, quando as comparamos com o tratamento pictórico da estela de Naram – sin.

  • Intenção Artística

O escultor pode assim reproduzir os olhos em alto relevo, de modo que Hamurabi e Shamash se encaram tão diretamente e com tal intensidade como em nenhuma outra representação deste gênero. Fazem –nos lembrar  as estátuas de Tell Asmar, cujos olhos enormes revelam a mesma tentativa de estabelecer relação entre o homem e o deus.

     

   

       ACÁDIA

ܟ  Introdução   

  Os acádios, grupos de nômades vindos do deserto  da Síria , começaram a penetrar nos territórios ao norte das regiões sumérias, terminando por dominar as cidades-estados desta região por volta de 2550 a.C. Mesmo antes da conquista, porém, já ocorria uma síntese entre as culturas suméria e acádia, que se acentuou com a unificação dos dois povos. Os ocupantes assimilaram a cultura dos vencidos, embora, em muitos aspectos, as duas culturas mantivessem diferenças entre si.

ܟ     Arte Acadiana

Escultura em Bronze

A figura de Sargão da acádia, é bem notável visto que tanto ele como seus sucessores foram os primeiros chefes mesopotâmicos que se proclamaram abertamente reis e manifestaram a ambição de governar a terra inteira. Sob os acadianos, a arte da Suméria enfrentou a nova missão de glorificar a pessoa do soberano. A mais conhecida deste gênero é a magnífica cabeça de bronze encontrada em Niníve.

  • Descrição das Imagens

Cabeça de um soberano Acadiano, Niníve,c. 2300-2200 a.c. Bronze, alt. 0,30m. Museu do Iraque, Bagdá.

    Podemos destacar a cabeça em bronze de um soberano acadiano, encontrada em Niníve. Apesar de ter olhos vazados (antes incrustados de materiais preciosos), conserva um ar majestoso, de comovedora humanidade. Igualmente admirável é a riqueza do enquadramento do rosto. O cabelo entrelaçado e a barba finamente encaracolada são tratados com incrível precisão, sem no entanto, perderem o seu caráter orgânico, nem majestade com uma segurança que denota autêntica maestria. É um retrato á altura das maiores obras de arte de qualquer época. Expressões da tendência para a estilização e para a geometrização.

Estela da vitória de Naram – Sin, c. 2300-2200 a.c. Pedra, alt.1,98m. Louvre, Paris.

     A estela de Naram- Sin neto de Sargão, é uma obra bastante interessante e importante para entendermos a arte deste povo acadiano. Com isso Naram- Sin, imortalizou- se e ao seu exército no baixo relevo de uma grande estela – laje erguida como monumento comemorativo. Vemos as tropas reais avançando por entre as árvores de uma encosta de montanha. Acima delas, Naram – Sin, solitário e triunfante, perante os inimigos que imploravam clemência, avulta com a mesma força dos seus homens, mas a maior estatura e a posição isolada conferem- lhe uma condição sobre- humana. Além disso, traz a coroa e dez chifres reservada aos deuses. Acima dele, apenas os cumes das montanhas e os astros, as suas “boas estrelas”. É o monumento mais antigo que se conhece a um conquistador.  Nos baixos-relevos a figura principal aparece muito mais ao alto que as outras, em relação ás quais também apresenta maiores dimensões; está sempre sobrepujada pelo astro-rei, ou ostenta os símbolos do próprio poder. Em geral, é descrito o episódio principal que resume todos os outros.

 

 

 


 

     

     

        SUMÉRIOS

ܟ    Introdução

   Os sumérios localizavam – se na parte sul da Mesopotâmia  perto da confluência do Tigre e Eufrates, evidências arqueológicas datam o início da civilização suméria em meados do quarto milênio a.C. Entre 3500 e 3000 a.C.  Sua origem permanece obscura.

  Chegaram a Mesopotâmia Meridional, vindos da Pérsia, e nos mil anos seguintes fundaram certo número de cidades-estados e desenvolveram a sua escrita própria, de caracteres cuneiformes gravados em tabuletas de barro. Infelizmente, os restos materiais sumeriana são poucos. Como não dispunham de pedra, os sumérios ergueram casas de adobe e madeira, de modo que ficou da sua arquitetura, a não ser os alicerces. O que sabemos desta civilização provém, na maior parte, de restos trazidos á luz pelo acaso das escavações, incluindo inúmeros textos gravados em placas de argila.

     

          Arte Sumeriana    

ܟ     Arquitetura

   O papel dominante do templo como centro da vida espiritual e temporal nos é mostrado de modo nítido pela planta das cidades. As casas aglomeravam-se em torno da área sagrada, vasto conjunto arquitetural que tanto compreendia templos como oficinas, armazéns e residência dos escribas. Ao centro, sobre um terraço alto, ficava o templo do deus. Estes terraços, os zigurates, logo atingiram a altura de verdadeiras colinas.

 

 

O templo Branco e o seu zigurate, Uruk ( warka), c. 3500-3000 a.c.

 

         O mais famoso, a bíblica Torre de Babel, foi completamente destruído, mas subsiste outro, muito anterior, construído por volta de 3000 a.c e, portanto, vários séculos mais antigo que a primeira pirâmide, erguido em warka, o lugar da cidade sumeriana de Uruk, é uma colina de mais de 12 metros de altura, cujos íngremes flancos estão reforçados por sólidos muros de tijolo. Escadarias e rampas conduzem á plataforma onde foi erigido o santuário, chamado Templo Branco por causa de suas fachadas de tijolo caiado. As grossas paredes, articuladas por saliências e reentrâncias espaçadas regularmente, encontram-se num estado de conservação suficiente para dar uma idéia da aparência original do edifício. A estreita sala principal, ou cella, onde os sacrifícios eram oferecidos perante a estátua do deu, estende-se por todo o comprimento do templo e está ladeada por várias câmaras menores. A entrada principal, em vez de estar situada na fachada fronteira á escadaria de acesso ou em qualquer dos lados menores, abre-se a sudoeste literalmente. A razão desta aparente anomalia transparece desde que consideramos o templo e o zigurate como partes de um conjunto projetado de tal maneira que os fiéis, subindo pela escadaria oriental, se viam obrigados a contornar o maior número de paredes antes de chegarem a cella .

  • Intenção Artística

    Este acesso diferente aos templos indica uma arquitetura religiosa, em que os zigurates foram crescendo em altura, cada vez mais semelhantes a torres de múltiplos andares decrescentes. Assim a intenção de levar homens á erguer grandes torres, com certeza não foi o orgulho apontado no Antigo Testamento em relação á Torre de Babel. Devem antes refletir a crença generalizada de que os cumes das montanhas são moradas dos deuses, o homem sentiu que só estes montes erguidos por suas mãos, eram residência própria de divindade.

   ܟ       A escultura em Pedra

  Perdeu-se a imagem do deus a quem foi dedicado o Templo Branco – provavelmente Anu, o deus do céu-, mas a esplêndida Cabeça Feminina, de mármore, encontrada em Uruk, deve ter pertencido a outra estátua religiosa.

Cabeça Feminia, Uruk (Warka), c. 3500-3000 a.c. Mármore, alt. 0,20m. Museu do Iraque, Bagdá.

       Seus olhos e sobrancelhas eram inicialmente de materiais coloridos incrustados, e a cabeça coberta por uma “cabeleira” de ouro ou de cobre. O resto da figura, que devia ter quase o tamanho natural, era provavelmente de madeira. A suave turgescência das faces, a delicada curva dos lábios, aliadas á fixação dos enormes olhos vazios, criam uma expressão equilibradamente sensual e severa, digna de qualquer deusa. Foram os aspectos geométricos e expressivos da cabeça de Uruk, e não os realistas, que perduraram na escultura de pedra do período dinástico arcaico.

Estátuas. Templo de Abu, Tell Asmar, c. 2700-2500 a.c. Mármore, alt.da imagem mais alta 0,76m. Museu do Iraque, Bagdá, e Instituto Oriental, Universidade de Chicago

     As figuras de Tell Asmar, talhadas cinco séculos depois. A maior, com uns 75 cms., representa Abu,  deus da vegetação, a segunda em altura é de uma deusa-mãe, as outras, sacerdotes e devotos. As divindades distinguem-se pelas dimensões superiores e pelo maior diâmetro das pupilas, embora todas as figuras possuem olhos enormes, cuja fixação é acentuada pelo colorido dos materiais incrustados que ainda se conservam. O grupo devia achar-se na Cella do templo de Abu, estando os sacerdotes e os fiéis voltados para os dois deuses, em muda comunicação pelo olhar.

  • Intenção Artística

A “representação” tinha aqui um sentido muito direto, acreditava-se que as divindades estavam presentes nas imagens e que as estátuas dos adoradores eram substituídas das pessoas representadas, orando em seu lugar ou transmitindo as mensagens aos seres divinos. No entanto, não se faz qualquer tentativa para lhes dar semelhança física, tanto os corpos como as cabeças são esquemáticos e rigorosamente simplificados, a fim de evitar que a atenção se desviasse dos olhos, “ janelas da alma”. A concepção da forma baseava-se no cone e no cilindro. Braços e pernas tem a redondeza de tubos e as longas saias são ligeiramente encurvadas, como feitas ao torno.

ܟ    A escultura em Bronze ou por acrescentamento

   Flexível e realista é o estilo dominante na escultura sumeriana elaborada por acrescentamento (ora modelada em materiais brados, para ser fundida depois em bronze, ora armada, pela combinação de substâncias variadas, tais como madeira, folhas de ouro, lápis-lazúli, etc.). Algumas peças deste último tipo, mais ou menos contemporâneas de Tell Asmar, foram encontradas nos túmulos de Ur. Entre elas há o fascinante objeto reproduzido na estampa, suporte de oferendas com a forma de um bode erguido nas patas de trás contra uma árvore florida.

  • Descrição das Imagens

  Bode e Árvore. Museu da Universidade, Filadélfia.

   O animal, cheio de vida e de energia, tem um poder de expressão quase demoníaco ao olhar-nos por entre os ramos da árvore simbólica. E não admira que assim seja, porque era consagrado ao deus Tamuz, que encarnava o princípio masculino da natureza. O que distingue os animais sagrados sumerianos é a parte ativa que eles desempenham na mitologia.

Embutidos numa caixa de harpa. Ur, c. 2600 a.c. Museu da Universidade , Filadélfia

   Representação do painel incrustado de uma harpa de Ur. O herói abraçado a dois touros com cabeça humana (em cima) era um tema tão popular que o seu grupo se converteu numa fórmula decorativa regidamente simétrica. As outras seções, porém mostram-nos animais efetuando algumas tarefas humanas, com surpreendente vivacidade e precisão:  o lobo e o leão levam comida e bebida para um banquete invisível, enquanto o urso, o burro e o cervo participam de uma sessão musical ( a harpa da cabeça do touro é um instrumento do mesmo tipo que a do painel). Embora, um homem-escorpião e um bode transportam objetos que extraíam de um grande vaso.

  • Intenção Artística

É preciso ter cuidado de não interpretar erradamente as suas intenções- o que aparece a olhos modernos como deliciosamente humorístico foi talvez encarado com perfeita seriedade. Nem sequer sabemos em que contexto estes atores desempenhavam o seu papel. Apesar disso, podemos encará-los como os primeiros antepassados conhecidos das fábulas de animais.